Nossa, foi o dia mais difícil que passei com a partida do Bob, no dia 14/02/25. Enfim, já falei sobre isso na postagem anterior. Hoje estou aqui para contar uma novidade, pois eu sou uma passoa gatos e, depois do processo de luto, já estava me sentido vazia sem a companhia de outro Pet.
Quando meu querido (melhor amigo) Bob partiu, uma parte do meu coração foi com ele. Foram quase 20 anos de convivência, olhares trocados, silêncios compartilhados e um amor que não precisa de tradução. Bom, se você está aqui no blog lendo, presumo que seja também fã de gatinhos.
Mas o tempo, com sua sabedoria silenciosa, começou a sussurrar que o amor pelos felinos não terminou com o Bob — apenas mudou de forma. Assim como o Patrick, que partiu 3 anos antes do Bob, eu entendo que sempre serei mãe de felinos. Adotei dois agotinhos, de ONGs diferentes. A Pepê e o Bartô. Uma tricolor com um siamês.
A Chegada de Dois Novos Corações
No dia 09 de junho de 2025, dois novos moradores chegaram em casa: Pepê, uma tricolor de olhos atentos e temperamento forte, e Bartô, um siamês claro, doce e pacífico, mas “capetinha” pela manhã. Ela tem um ano e um mês. Ele, um ano e dois meses. Chegaram juntos, mas não chegaram unidos. Primeiro encontrei a Papê, mas outra família já estava na fila de adoção. Fui então em outra ONG e adotei o Bartô. Mas quando eu estava levando o Bartô para sua futura casa, me ligaram da outra ONG e perguntaram se eu queria levar a Papê. Claroooooo!!!!
A adaptação entre dois gatos adotados ao mesmo tempo não é simples — ainda mais quando um deles (no caso, a Pepê) é a verdadeira dona da personalidade marcante. Rosnados, olhares atravessados, e até umas patadas aconteceram nos primeiros dias. E ainda acontecem, vez ou outra.
Mas algo mágico também começou a acontecer: a aproximação. Disfarçada de curiosidade, depois de brincadeiras tímidas, corridas pela casa, escondidas atrás da cortina. Um começo. Confesso que não é um processo simples, pelo contrário, tem que se dedicar e estar por perto o tempo todo, principalmente nesse começo.
Entre Rosnados e Rabos Erguidos: O Ritmo da Convivência
No início, a Pepê deixava claro quem mandava. Ela ocupava o espaço com firmeza e impunha limites. Bartô, por sua vez, recuava. Quieto, observador, respeitava o tempo dela. Já deu para perceber como eles têm personalidades diferentes, ela dominante e ele mais passivo (ainda bem!).
Apesar das tensões, em nenhum momento ele se mostrou agressivo, pelo contrário — parecia compreender que ela precisava de mais tempo. E com esse tempo, começaram os jogos: uma corridinha aqui, um esconderijo ali, até que um dia, os dois estavam deitados no mesmo sofá. Com uma distância segura, claro, mas já era algo.
Hoje, não posso dizer que são melhores amigos inseparáveis. Mas posso afirmar que há afeto em construção. E isso é tão bonito de acompanhar quanto foi ver o Bob envelhecendo ao meu lado. Agora, por exmeplo, enquanto escrevo aqui para vocês, estamos os 3 na minha cama, ela do meu lado esquerdo (enconstada em mim) e ele encostado no meu pé direito.
O Luto Continua, Mas o Amor Também
Adotar dois gatos depois de perder um companheiro de duas décadas não é “substituir” ninguém, por isso precisei de um tempo para processar o meu luto. É, talvez, uma forma de honrar o amor que o Bob despertou em mim e motivação de ter criado esse blog. Ele me ensinou sobre paciência, empatia e comunicação silenciosa. Agora, vejo essas lições ganharem vida de outra forma com Pepê e Bartô.
O luto não acaba com a chegada de novos gatos. Mas ele ganha novas cores, sons e cheiros. De repente, aquele canto da casa que ficou vazio com a partida do Bob agora tem duas presenças felinas brincando, explorando, testando seus limites e minha paciência — como todo gato saudável deve fazer.
As Primeiras Descobertas Juntos
Pepê adora sua caminha rosa, onde ela se enrola como uma pequena rainha. Bartô prefere o canto do sofá, ou o meio da cama, onde dorme tranquilo mesmo com a movimentação ao redor. Um respeita o espaço do outro — até onde é possível para dois gatos jovens e cheios de energia.
Às vezes, ela ainda rosna. Às vezes, ele se aproxima demais e leva uma patada. Mas minutos depois, lá estão os dois novamente correndo, trocando farejadas, pulando sobre almofadas como se nada tivesse acontecido. E talvez, no universo felino, realmente não tenha. Os gatos têm sua própria forma de resolver as coisas — muito mais prática e direta do que a nossa.
OBS: os meus 2 novos gatos fizeram a castração recentemente, então é esperando que ainda eles sejam mais agitados, principalmente ele. Em minhas pesquisas sobre o tema, leva em torno de 3 meses para se acalmarem e não tentarem tanto forçar sua presença ao outro (neste caso o Bartô sendo insistente com a Pepê).
Para Quem Está Passando Pelo Mesmo
Se você perdeu um gato recentemente e sente que jamais será capaz de abrir seu coração novamente, eu entendo você. Mas quero dizer que o coração da gente é elástico, principalmente se você for da “seita” dos gatos rsrsrs. Ele se estica na dor e se alarga ainda mais quando a gente dá uma nova chance para o amor.
Adotar um (ou dois) gatos depois da perda não é esquecer. É transformar. É reconhecer que a convivência com um animal pode mudar nossa forma de existir no mundo — e que essa experiência pode, sim, acontecer mais de uma vez.
Decidi adotar já dois gatinhos de uma vez, para um poder fazer companhia ao outro quando estiverem sozinhos aqui em casa. O Bob tinha o Patrick. Só não adotei outro gatinho depois da partida do Patrick, pois o Bob já era muito idoso e poderia ser um ponto de estresse para ele (a adaptação com outro gato).
E se estiver lidando com a adaptação entre gatos, paciência, muuuuuuita paciência. Um dia eles estão se estranhando, no outro, dormindo na mesma cama. Às vezes não viram grandes amigos, mas aprendem a conviver — o que, no mundo felino, já é muito.
O Começo de Uma Nova História
Pepê e Bartô ainda estão escrevendo suas páginas comigo. Cada dia é um capítulo novo, com altos e baixos, mordidas e lambidas, miados e corridas pela casa. E o mais bonito de tudo é que, mesmo nos momentos difíceis, eu sei: essa história está sendo escrita com amor.
E o Bob? Ah… Ele continua aqui. Na forma como olho pra eles, no cuidado que tenho, nas lembranças que carrego. Ele foi o primeiro. Mas não será o último amor felino da minha vida.
Porque quem ama um gato, ama todos — cada um com seu jeito, seus defeitos e sua capacidade única de transformar uma casa em lar.
Um abraço felino cheio de carinho para você,
Mariza, apaixonada por gatos.
PS: Instagram das ONGs onde os dois foram adotados: @cmiadosgatinhos e @patinhasdoasfalto. As duas ONGs deixam gatinhos na @Petz (um na Augusta e a outra na Ricardo Jafé).

Deixe um comentário